Ao divulgar um vídeo com duras críticas ao modelo administrativo do governador Rafael Fonteles, a ex-vice-governadora e atual ocupante de uma das diretorias do Sebrae nacional, Margarete Coelho, vestiu, pela primeira vez, a camiseta de candidata de oposição ao governo do Estado. Há alguns dias, o líder maior da oposição no Piauí, senador Ciro Nogueira, havia citado seu nome, junto com outros – Gracinha Mão Santa e Joel Rodrigues – para enfrentar o governador em 2026 e, pouco depois, ela colocou seu nome à disposição para o embate, mas a repercussão foi pequena.
O vídeo, porém, deu outra dimensão política ao assunto. Gravado e editado com profissionalismo, a mensagem foi bem clara: a de alguém que, como todo bom candidato – boa candidata, no caso – enxerga graves defeitos em seu adversário, defeitos estes que tem potencial para provocar o debate e questionamentos com consequências eleitorais.
Hoje, o governador Rafael Fonteles voa em céu de brigadeiro, tranquilo, sem nenhuma cumulonimbus para chacoalhar sua reeleição. No estado, somente duas personalidades teriam condições, hoje, de enfrentá-lo: o senador Ciro Nogueira (PP) e o prefeito Sílvio Mendes e nenhum destes está com tamanha disposição. O primeiro prioriza sua reeleição para o Senado e o segundo, por motivo óbvio: acabou de ser eleito prefeito de Teresina. Logo, Rafael corre risco de ganhar por W.O. Aí é onde está a importância da entrada de Margarete em campo: ter jogo, pelo menos.
O fato é o senador Ciro Nogueira está animado com as pesquisas que apontam a queda da popularidade do presidente Lula em todo o Nordeste e já está acreditando que ele não será mais o eleitor que garantiu as sucessivas eleições de petistas e aliados em toda a região, desde 2002 e como não está disposto a correr riscos, se candidatando ao cargo – até porque prefere o planalto à planície -tem lançado nomes aos quatro ventos para ver se algum é adotado pelo eleitorado. Parece que Margarete Coelho se acha capaz de encantar e cair nas graças do povo.