Ciro Nogueira ganha um impensável adversário na composição da chapa da direita: Ciro Gomes

O senador Ciro Nogueira (PP) está ganhando um adversário improvável na disputa pela composição da chapa majoritária da direita na sucessão presidencial de 2026: seu xará Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e que foi candidato a presidente nas últimas eleições pelo PDT, partido ao qual se mantém filiado. O assunto já está ganhando destaque na imprensa nacional que já identificou uma ala do Centrão identificada com a causa.

Não é de hoje que Ciro Nogueira trabalha para que Tarcísio seja o candidato e ele vice. Logo após a decisão do TSE que tornou Jair Bolsonaro inelegível, ele traçou uma rota para seu futuro político elegendo caminhos, por ordem de importância: 1) ser o companheiro de chapa de Tarcísio de Freitas; 2) ser candidato ao Senado por um estado onde Bolsonaro teria muita influência, como São Paulo, ou pelo Distrito Federal; 3) disputar a reeleição no Piauí.

Com as idas e vindas da política, com o clã Bolsonaro decidido a não indicar um sucessor de fora para a disputa eleitoral, Ciro voltou os olhos para seu Estado e reiniciou a rotina de viajar pelo interrior se encontrando com prefeitos e até parecia que estava conseguindo algo que parecia impossível: uma aliança branca com o governador Rafael Fonteles (PT), onde ele não lançaria candidato competitivo ao governo do Estado e o governador, por seu turno, faria vistas grossas para os prefeitos e deputados que destinassem o segundo voto a ele.

Isso estava caminhando bem até o deputado Eduardo Bolsonaro fugir do país e ir brincar de traidor da pátria nos Estados Unidos e o PT decidir que onde houvesse um candidato ao Senado competitivo no Nordeste, deveria ser combatido a ferro e fogo. Enquanto isso, a Federação com o União Brasil estava sendo trabalhada e a situação de Bolsonaro, se agravando, com a prisão em domicílio e o tarifaço de Trump. Eduardo Bolsonaro virou investigado e as opções dentro do clã foram sumindo.

Com a degradação do bolsonarismo, a Faria Lima e a Paulista decidiram que não dava mais para esperar, até porque as pesquisas começaram a revelar a recuperação da popularidade e da aprovação do governo Lula e tomaram a decisão que o candidato seria o governador de São Paulo, apesar das derrapadas desde o boné do MAGA na eleição do Trump até a aceitação absurda do tarifaço, sem uma única crítica pública ao governante estadunidense, embora São Paulo tenha sido o Estado mais prejudicado.

Com essas definições, Ciro passou a radicalizar o discurso de oposição a Lula, até para não deixar dúvidas sobre seu posicionamento, já que foi eleito duas vezes para o Senado votando e sendo votado no e pelo PT. E claro, o fato de ser nordestino cai como uma luva na chapa do sulista Tarcísio. Mas…

Mas, como a política é dinâmica, e até as pedras se encontram, no vizinho estado do Ceará uma história estava sendo reescrita. Incomodado com o domínio do PT no Estado, Ciro Gomes, desde a campanha para a eleição presidencial passada, começou a se afastar do partido e até da família, virando um grande crítico de Camilo Santana, hoje ministro da Educação; de Lula; e até do irmão, Cid Gomes. Em 24, apoiou o bolsonarista André Fernandes para a prefeitura de Fortaleza e passou a se articular às claras com a oposição no estado, já garantindo apoio ao pai de André Fernandes para o Senado em 26.

Daí para pensar em ser o candidato de oposição o governo foi um passo. No dia 6 de maio deste ano, se reuniu com representantes do PL, PP e União Brasil e, nos últimos dias, aventou-se a possibilidade dele retornar ao PSDB para brigar para disputar o Palácio da Abolição. Entretanto, essa ideia não entusiasma muito seus novos amigos, que acreditam que Roberto Cláudio está melhor posicionado diante das lideranças oposicionistas.

Foi convidado e discursou no ato político da formalização da Federação União Progressista. E na casa da qual Ciro Nogueira é um dos donos, disse: “Façam desse gesto, dessa iniciativa, um ato de gravitação universal. Ou seja, chame tudo que o brasileiro pode oferecer do centro-esquerda a centro-direita para nós tirarmos o Brasil deste desastre”. A fala reverberou profundamente, mesmo entre os vários governadores presidenciáveis que estavam presentes, porque, ali, era trazido um elemento novo ao palco: a centro esquerda, que nunca havia aparecido em nenhum discurso dos presentes.

Para ouvidos atentos, estava ali uma oferta. Se estava propondo elastecer o espectro das alianças, ele estava se colocando como a centro esquerda a ser atraída. E uma ala do Centrão começou a fazer contas e essas contas, não foram nada favoráveis ao outro Ciro, o Nogueira. Primeiro, o tamanho do eleitorado dos dois Estados; segundo, a projeção regional e nacional dos dois nomes; terceiro, o fato de Ciro Gomes ter disputado várias eleições presidenciais, sendo conhecido em todos os rincões; por último, o fato de Ciro Gomes possibilitar a conquista de eleitores no terreno do adversário.

Evidentemente que isso não soou bem ao PP, que trabalhou arduamente a federação com o União Brasil para garantir lastro político à chapa Tarcísio/Ciro Nogueira, mas o fato é que há este elemento novo para o senador piauiense se preocupar. Mas ninguém pode subestimá-lo no jogo bruto da política, onde tem se mantido no topo por tanto tempo. É aguardar para ver.

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